sexta-feira, 27 de maio de 2011

Desencontro de estações.

"Daria tudo e mais um pouco de mim." #Lila#
 
      Nove de Dezembro de 1999. Era um dia cinza de verão, o sol era tímido, e as nuvens estavam com um aspecto sombrio. Éramos duas, eu e minha própria companhia. Eu costumava ser assim, sentava naquele grande bloco de concreto e observava o mundo aos sete anos de idade, enquanto a algazarra de buzinas aterrorizavam-me, os postes, iluminavam a pressa de uma vida que, já não era mais vivida naquele trânsito de carros vivos.
Com apenas sete anos, eu tinha várias visões sobre a vida, até você vir ao mundo. Naquele dia, Nove de Dezembro, você nasceu, e o sol que era tímido, passou a ser a luz intensa do dia inteiro, as nuvens viraram grandes algodões brilhantes, o barulho de buzinas transformaram-se em cantos de passarinhos, e os postes, em grandes árvores que originavam vida. Naquele dia, eu havia conhecido o verão.
 Desde então, aquele bloco de concreto, passou a ter duas companhias diárias a observar o mundo, eu já não estava mais sozinha, você estava comigo, todos os dias e em todos os momentos.
 O vento tinha cores, o arco-íris dava voltas em meio ao céu, e tudo que eu sentia tinha nome, era amor, constante e infinito. Ele crescia, crescia tanto, que em alguns momentos expandia-se criando póros pelo meu corpo, ele já não suportara tanta pressão. Esse amor era físico, era mental, era alimento, era fonte. E para os que desacreditam nessa visão, eu provo com todo amor que sobrou em mim. _ Sim! - Sobrou, e sobra cada vez mais, a cada segundo que passa.
Entretanto, nem todas as estações do ano germinam flores.
Em Dezesseis de Abril de 2010, eu conheci a primavera, diferente de todas as outras que eu havia visto. Nessa primavera, as flores não desabrocharam, os galhos ficaram secos, as buzinas voltaram a ensurdecer-me, e o trânsito de carros vivos atropelaram minha alma. Naquele dia a chuva me molhou, e eu a confundi com lágrimas, estava certa, os astros choravam com a sua perda.
O sol havia se escondido, o céu tinha cor negra em plena tarde, o arco-íris não existia mais, parecia que nesses onze anos, tudo fora sonho.
Os passarinhos ficaram de luto durante o trezentos e sessenta e cinco dias em que eu me senti submersa e perdida no vazio. No entanto, no décimo segundo mês, o verão voltou.
Voltou quando eu descobri que eu não tinha te perdido, pois sempre te tive dentro de mim.
E minha visão, aquela que você me ensinara, voltei a ter, todos dias e em todos os momentos, e aquele amor que se expandiu criando póros pelo meu corpo, continuou a crescer, tanto, que multipliquei-me, e a cada dia que lembro-me de você, multipico-me mais.
Nessa primavera eu conheci a dor, sobretudo, durante uma vida, conheci o amor.

Minha cachorra, minha amiga, minha Lila, as estações voltaram esse ano.


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