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"Daria tudo e mais um pouco de mim." #Lila# |
Nove de Dezembro de 1999. Era um dia cinza de verão, o sol era tímido, e as nuvens estavam com um aspecto sombrio. Éramos duas, eu e minha própria companhia. Eu costumava ser assim, sentava naquele grande bloco de concreto e observava o mundo aos sete anos de idade, enquanto a algazarra de buzinas aterrorizavam-me, os postes, iluminavam a pressa de uma vida que, já não era mais vivida naquele trânsito de carros vivos.
Com apenas sete anos, eu tinha várias visões sobre a vida, até você vir ao mundo. Naquele dia, Nove de Dezembro, você nasceu, e o sol que era tímido, passou a ser a luz intensa do dia inteiro, as nuvens viraram grandes algodões brilhantes, o barulho de buzinas transformaram-se em cantos de passarinhos, e os postes, em grandes árvores que originavam vida. Naquele dia, eu havia conhecido o verão.
Desde então, aquele bloco de concreto, passou a ter duas companhias diárias a observar o mundo, eu já não estava mais sozinha, você estava comigo, todos os dias e em todos os momentos.
O vento tinha cores, o arco-íris dava voltas em meio ao céu, e tudo que eu sentia tinha nome, era amor, constante e infinito. Ele crescia, crescia tanto, que em alguns momentos expandia-se criando póros pelo meu corpo, ele já não suportara tanta pressão. Esse amor era físico, era mental, era alimento, era fonte. E para os que desacreditam nessa visão, eu provo com todo amor que sobrou em mim. _ Sim! - Sobrou, e sobra cada vez mais, a cada segundo que passa.
Entretanto, nem todas as estações do ano germinam flores.
Em Dezesseis de Abril de 2010, eu conheci a primavera, diferente de todas as outras que eu havia visto. Nessa primavera, as flores não desabrocharam, os galhos ficaram secos, as buzinas voltaram a ensurdecer-me, e o trânsito de carros vivos atropelaram minha alma. Naquele dia a chuva me molhou, e eu a confundi com lágrimas, estava certa, os astros choravam com a sua perda.
Em Dezesseis de Abril de 2010, eu conheci a primavera, diferente de todas as outras que eu havia visto. Nessa primavera, as flores não desabrocharam, os galhos ficaram secos, as buzinas voltaram a ensurdecer-me, e o trânsito de carros vivos atropelaram minha alma. Naquele dia a chuva me molhou, e eu a confundi com lágrimas, estava certa, os astros choravam com a sua perda.
O sol havia se escondido, o céu tinha cor negra em plena tarde, o arco-íris não existia mais, parecia que nesses onze anos, tudo fora sonho.
Os passarinhos ficaram de luto durante o trezentos e sessenta e cinco dias em que eu me senti submersa e perdida no vazio. No entanto, no décimo segundo mês, o verão voltou.
Voltou quando eu descobri que eu não tinha te perdido, pois sempre te tive dentro de mim.
Voltou quando eu descobri que eu não tinha te perdido, pois sempre te tive dentro de mim.
E minha visão, aquela que você me ensinara, voltei a ter, todos dias e em todos os momentos, e aquele amor que se expandiu criando póros pelo meu corpo, continuou a crescer, tanto, que multipliquei-me, e a cada dia que lembro-me de você, multipico-me mais.
Nessa primavera eu conheci a dor, sobretudo, durante uma vida, conheci o amor.
Minha cachorra, minha amiga, minha Lila, as estações voltaram esse ano.

Ela deixou saudade e uma constante lembrança de seu jeito de não ir com minha cara em 11 anos!'
ResponderExcluirMeu beem maior '-'
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